domingo, 20 de março de 2011

Falando Grego: Amor.

Polidez, fidelidade, prudência, temperança, coragem, justiça, generosidade, compaixão, humildade, tolerância, pureza, humor, amor.
Deixando de lado o sentimentalismo da palavra amor, arrisco-me a dizer que é a virtude principal entre todas.
Digo isso de antemão, pois se não amássemos nossas outras virtudes, elas não teriam valor. Porém, apesar de ser a virtude mais elevada quanto aos efeitos, é a mais pobre quanto ao alcance, já que amamos poucas coisas e poucas pessoas.
Mas enfim, o que seria amor como virtude? Exatamente o contrário da moral, regida por normas reguladoras. Quando efetuamos algum gesto comandado por alguém ou alguma regra que nos obrigue, o amor não está presente. A moral seria uma forma de simular a boa vontade que deveria estar presente em todos nossos atos bons.
Ou seja, esse amor que pretendo tratar daqui em diante, nada mais é que um desejo, um querer por algo específico, por fazer algo específico, por vontade própria. Para melhor representar esse desejo, podemos observar o termo espanhol: “te quiero”, que em nossas traduções pode significar tanto um “te quero”, como um “te amo”.
Não nascemos virtuosos. Virtudes são características que descobrimos com o amadurecimento do corpo e alma. Na nossa jornada da vida, a vontade de ser alguém melhor nos dá o desejo de busca por essas virtudes, que acontece de forma espontânea, e não moral.
Aqui vale mencionar Eros, a primeira definição de amor para os gregos. Platão, Sócrates e outros pensadores defendiam que o amor só é amor, quando não se tem o objeto desejado.
E daí que surge o ciclo do amor por nossas virtudes. Não que seja impossível conquistá-las, mas nunca as teremos de forma plena, caso contrário, estaríamos nos igualando a Deus. É esse desejo, de certa forma inalcançável e cíclico, que mantém acesa nossa vontade de sermos cada vez melhores e mais virtuosos.
Entretanto, para os gregos, amor também pode ser “Philia”. Seria um amor por sentir, fazer, tocar. Um amor não por algo que não temos. O contrário de Eros. Um amor pelo presente e o real, o que está a nosso alcance, que podemos desfrutar e nos mantém felizes, amando o que temos. O amor entre pais e filhos, o amor de amigos, em desfrutar os prazeres desses momentos.
O último termo que representa a tripartição do amor para os gregos seria Agapé. Um amor desinteressado, que ama tanto os amigos e família, como também os inimigos e indiferentes. Para melhor explicar esse amor, acho justo compará-lo ao amor de Deus.
Ele nos ama sem justificativa, não por que somos amáveis, ou qualquer coisa nesse sentido, pois já estaríamos explicando o amor. É um amor simplesmente pela essência, um amor primário, antes dos valores, virtudes ou conceitos. Com certeza o nível de amor mais difícil de ser alcançado, pois geralmente amamos nossos amigos e família, mas como fazer para amarmos os que passam despercebidos em nossas vidas ou que nos afligem? Pensadores vinculam a palavra caridade diretamente com a Agapé, e vinculam a caridade com filantropia, que seria uma forma de demonstrar esse amor, ao menos pelos desconhecidos, sem ter qualquer expectativa de retorno.
Enfim, seria possível escrever quase um tratado sobre cada um dos termos em questão, mas preferi sintetizá-los em poucas palavras que procuram demonstrar de forma direta a “composição” ou os “tipos” de amor, Eros, Philia e Agapé.

2 comentários:

  1. Amar sempre me parece algo complicado, quem dirá descrever isso. É interessante ler explicações sobre algo assim, que parece tão intangível pelas palavras. Ótimo texto!

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