Havíamos discutido e perdemos o contato por poucas semanas. Foi suficiente para você tropeçar numa pedra e, quando se sentiu machucada, correr de volta para mim, contando sobre ser a opção de alguém quando ~a menina de cabelo de cenoura~ não estava disponível. À noite, depois da breve conversa que tivemos no estágio, não demorou para que você me abraçasse, cabeça no ombro como refúgio para o mar de lágrimas que estava por vir. Descemos a escada do bloco das turmas de direito e logo achamos uma sala vazia. Peguei um pedaço de EVA e coloquei no fundo da sala para tentar diminuir fisicamente o seu desconforto emocional.
Você desejou a morte lenta de alguém pela primeira vez nesses três anos e meio mesmo já tendo passado por outras desilusões. Você falou sobre não se orgulhar de como tinha acontecido. Conversamos por algum tempo e consegui - como sempre - resgatar alguns sorrisos perdidos durante seu pranto. Voltamos para a sala de aula: você com o rosto inchado que a turma já estava acostumada a ver e eu com ódio de alguém que sequer tinha me feito qualquer coisa.
A inversão da situação é interessante. Provoquei a decepção e a pedra de repente foi lapidada: as pontas que te machucavam, que faziam você se arrepender e que até chegaram a incomodar a família deixaram de existir(?) e agora podes usá-la, momentaneamente, como alicerce.
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nota 1: Terça-feira da semana passada já havia cumprimentado a(o) Pedra(o) sabendo da situação (realmente as informações chegam mesmo sem que perguntemos por ela), apesar de ter confirmado somente no domingo. É importante destacar minha admiração por quem consegue reverter uma situação como aquela, independente do contexto. Devo um pedido de desculpas pelo esbarrão na Unidavi há quase dois anos atrás, mas como homem que és, sei que entendes que eu só estava tentando proteger quem eu zelava e você havia ferido; como já disse, não tenho motivos para não gostar de você.
nota 2: Hoje pela manhã recebi um pedaço de uma conversa sua com meu melhor amigo. A reação dele foi a mesma de quem conhece a história, mas com a coragem de se manifestar: aceite as consequências de seus atos como eu fiz. Tudo que eu considere importante dizer, farei de forma direta e respeitosa, como nesse texto onde não me preocupei em utilizar de figuras de linguagem diferentes das já existentes, ou como fiz pessoalmente no sábado. Frequentaremos os mesmos ambientes, temos amigos em comum e acho o “climão” desnecessário.
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