O garoto recusava-se a lavar a jaqueta que ela usara para dormir as poucas horas que restaram daquela madrugada de sábado. Mesmo que nas outras oportunidades em que se encontraram ela estivesse despida de fragrância que não fosse a própria, sentir o perfume incitava as lembranças das duas semanas iniciadas por um simples entrelaçar de dedos, que disseram muito mais do que palavras poderiam expressar.
A jaqueta, dizia ele, harmonizava-se com o estilo casual dela. Era uma das poucas características que tinham em comum, além de certa aversão ao excesso de sociabilidade, que no fim acabava sendo uma combinação tão incompatível quanto o controle que gostava de exercer e a imprevisibilidade das ações e palavras dele, apesar de afirmar que estimava essa aleatoriedade.
Depois de outras duas semanas e um súbito impulso de escrever algumas palavras no tempo verbal condizente com a situação, chegou em casa e atirou depositou com cuidado a jaqueta no cesto de roupas para lavar, interpretando aquele gesto como uma forma poética de virar a página, que deixou carinhosamente marcada para passar os olhos vez ou outra.
Disse tudo! ...
ResponderExcluirGosto do jeito como você poetiza acontecimentos. Texto incrível!
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