A primeira vez que aconteceu foi com um contexto diferente. Bastou um olhar cruzado distante para desestabilizar minha semana até que eu descobrisse quem era a dona dos olhos puxados e cinzas que tinha passado por mim.
Eu podia escrever um parágrafo pra voz, timbre e sotaque dela, outros pra cada pedaço do corpo mais lindo que já toquei ou ainda um decreto inteiro pra personalidade mais guerreira e simultaneamente doce, tudo isso escondido debaixo de uma fantasia de indiferença que usa para enfrentar o dia a dia.
Mas o foco desse texto são os olhos. Ou melhor, um momento específico do olhar. A fração de segundo exata em que os lábios deixam de se tocar e as pálpebras permitem que os olhos se vejam e expressem mais que qualquer palavra poderia num espaço tão curto de tempo.
Toda vez acontece isso. Toda vez é como se tudo que eu precisasse estivesse ali, a menos de um palmo de distância de mim.
Toda vez eu quero que tenha a próxima vez.
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