quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Nem Asas, Nem Auréola.

Algumas pessoas aparecem em nossas vidas quando mais precisamos. Do jeito mais estranho as conhecemos, e do nada, cria-se um vínculo que parecia já estar premeditado. Seriam mesmo pessoas? Talvez fossem anjos.
De acordo com a tradição cristã, anjos são portadores de uma beleza suave e detentores de um forte brilho, além das asas e auréola.

Sabia que estaria por lá. Esperava pelos cantos, só conversando e observando a “multidão” na esperança de encontrar aquele sorriso inconfundível. Até que comecei a enxergar o brilho de longe, a medida que se aproximava, podia confirmar a beleza delicada que esperava encontrar. Não tinha asas nem auréola, quem sabe estivesse disfarçada para não chamar tanta atenção.
Fui em sua direção, a cumprimentei e tentei dizer alguma coisa, não bastasse minha garganta estar fechada, a ansiedade havia tomado conta. Aquele sorriso brilhava para mim, hipnotizava-me a ponto de só sair o clássico “oi, tudo bom?”.

Trocamos olhares e algumas risadas. Fitando um ao outro, talvez como quem quisesse proteger, ou quem quisesse algo a mais. Quem sabe os risos tivessem passado a impressão de que estava tudo certo, e para que um anjo se nada me incomodava?

Algo me incomodava, faltava alguma coisa. Procurei por todas as partes, mas não encontrava nada que pudesse ser o alívio que buscava.
E seguindo a risca que “a felicidade às vezes está bem embaixo de nossos narizes”, fui checar o horário no celular e vi a ligação perdida.
Havia recebido a chamada 21:41, já eram 21:47, sabia que como num conto de fadas, esse encanto poderia terminar as 22:00, saí em disparada para retornar a ligação.

Nem precisei ligar, aquele brilho resplandecente de seu sorriso já me aguardava do lado de fora. Dessa vez nem ansiedade, nem vergonha, muito menos a minha falta de voz poderiam impedir de dizer o que queria.
“Eu gosto muito de você!”.
Abraçamo-nos. Só aí que pude ter certeza de que era real. Tão real que podia tocar seus cabelos, sentir seu perfume e seu calor. Tão real que podia sentir seu corpo e podia aproximar-me de seus lábios, que novamente estampavam o esplendor daquele sorriso. Tão real que a beijei.

E com o desconforto já confortável, estava na hora de partir.

Um comentário:

  1. Que bom que anjos existem... que bom que anjos são capazes de te fazer sentir confortável novamente... que bom que anjos iluminam....

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