Esse texto é uma adaptação de uma
breve fala em uma reunião.
“Gostaria de cumprimentar (...)
passadas as formalidades, eu gostaria de me desculpar com meus Irmãos sobre
minha ausência (...) eu estava apostando em algo que eu queria para a minha
vida e infelizmente não deu certo, mas como tudo na vida, serviu para tirar
algumas lições e três delas eu quero compartilhar com vocês, principalmente com
os mais novos.
Os Irmãos que são mais próximos
sabem que essa aposta era numa pessoa que eu amava muito e estava fazendo tudo,
não poupava esforços para ter ela comigo. Muita gente me chamou de trouxa e
apontava que ela não ligava para mim fazia tempo, mas eu seguia tentando e
insistindo, o que usamos para tirar a primeira lição: quando quiserem alguma
coisa, façam tudo que estiver ao alcance de vocês... não liguem se os outros
falarem que você não vai conseguir, não desista. Pode ser que no final você
realmente não atinja o seu objetivo. A vida é dura e nem sempre recompensa os
seus esforços, mas você poderá ficar tranquilo sabendo que fez o seu melhor,
faça sempre o seu melhor! Fernando Pessoa já dizia “Põe quanto és no mínimo que
fazes”.
Quando a relação terminou eu
fiquei com bastante ódio, questionando o porquê disso, mesmo procurando sempre
agir da maneira certa e respeitando um valor que infelizmente está perdido:
fidelidade. Muitas pessoas desrespeitam seu companheiro nos namoros e
casamentos - inclusive muita gente daqui, que é vista como arauto da justiça e
exemplo de postura - e conseguem manter aquela pessoa que está levando chifre
atrás de chifre por perto. A constatação óbvia de que ser desonesto traz mais
vantagens físicas veio e eu me perguntei se talvez eu devesse fazer isso também.
Segunda lição: não se corrompam. Não importa o quanto seja mais fácil conseguir
as coisas através de caminhos escusos, não se corrompam. Não fraqueje diante
das tentações quando você souber que não é o certo. Deitar à noite e saber que
suas vitórias são limpas, isso é impagável. Não ter tanto, mas ser muito
é o que te diferencia no meio das multidões.
Quem é mais próximo de mim sabe
também que sou um romântico à moda antiga, talvez as aulas do movimento do
início do século XIX com meu pai tenham sido incorporadas com um pouco de
exagero (risos). Choro, sofro... dramatizo o fim de um relacionamento. Mas
passado os primeiros dias, lembro das outras aulas do maior mestre da Língua
Portuguesa (e da vida) que conheci, retomo ao século XVIII com o iluminismo e
lembro (esse verbo foi cuidadosamente escolhido) da terceira lição. A
racionalidade do movimento iluminista mostra aquilo que todos sabem e a
história, até mesmo a nossa, comprova. Tudo passa. E mais, os eventos futuros
sempre são melhores do que isso que passou. Levante a cabeça, estufe o peito e
esteja preparado para o que a vida pode te oferecer. Se você sorrir para a
vida, ela irá te sorrir de volta e te convidar para viver. Por mais difícil que
a situação pareça, você sempre poderá aproveitar alguma coisa que vai servir lá
na frente. A vida é isso, é mudança, é construção.
Obrigado pela atenção de todos.”
Em seguida a palavra foi passada
e a reunião, assim como tudo, seguiu seu caminho até o final.
Belas palavras, ótimas lições. Seus textos trazem uma paz difícil de encontrar nas redes sociais. Parabéns!
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