Um dos rascunhos de textos de 2015 estava intitulado com "Inanição". Na época terminara de ler a história de um rapaz que definhou de fome após se perder e, inspirado, comecei um texto com "a fome do espírito é tão desgastante quanto a do corpo", que seria mais um dos vários desabafos disfarçados dentre os postados e os muitos outros que ainda estão perdidos nos meus rascunhos.
Acabei por desistir do texto há época. A fome (de espírito) culminou com os estoques de energia e, do mesmo jeito que o personagem fictício aceitou seu destino e aguardou o último suspiro, inerte, havia me rendido e não via mais propósito em despender forças com meus hobbies se o que aguardava era um irremissível final triste.
Existem aqui duas diferenças substanciais: enquanto o aventureiro do livro ficou sem provimentos, eu tinha acesso ao que acreditava que iria me nutrir, mas estava escolhendo errado; e certamente eu não teria o mesmo destino trágico que ele.
Lógico que isso eu só enxerguei depois (agora) e cheguei na fase de ver a jocosidade no que acreditava ser a pior das desgraças.
Com um sorriso no rosto, entre um parágrafo e outro caçoando o revés supervalorizado de cinco anos atrás, agradeço por estar plenamente satisfeito e sigo me nutrindo com o que há de mais simples, que é o que realmente importa.
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