Hearthstone é um jogo estratégico
de cartas que exige uma entrega mental e tempo de dedicação para alcançar
resultados positivos, mas que não traz nenhuma recompensa física real. Apesar
disso, as partidas te proporcionam diversos momentos de felicidade quando tudo
sai conforme o planejado; raiva, quando as coisas não funcionam do jeito que
você esperava; surpresas através de jogadas que parecem improváveis, mas
acontecem... Enfim, a gratificação é exatamente essa diversidade de sentimentos
que faz você se sentir vivo. Acho que é por isso que eu jogava.
Acabou de virar a noite de sexta
para sábado. Nesse horário normalmente eu estaria jogando, mas eu resolvi
parar. Hoje, daqui a algumas horas, vai completar o primeiro mês que larguei o
Hearthstone. Tecnicamente foi o Hearthstone quem me abandonou por alguma(s)
incompatibilidade(s), mas na prática o motivo é indiferente. O que importa é
que não jogo mais.
Nesse mês inteiro sem jogar tive
tempo para construir algumas coisas. Estou perto de conseguir algo
que eu queria profissionalmente. Reativei o blog e até ganhei o primeiro
comentário anônimo elogiando minha escrita. Voltei a frequentar as reuniões e
estou me reaproximando dos amigos que se mostram bastante felizes com minha
presença. Estou finalmente integrado ao grupo de futebol. Dei importância para
uma eleição, mas continuo abominando política. Ah, eu faço a barba semanalmente
agora porque retomei o hábito de ir à sauna aos sábado. Mas o mais legal é que
as pessoas aqui do trabalho estão estranhando meu bom humor até nos dias
cinzas, brincam com isso e até ganho uns abraços sem motivo nenhum às vezes.
Todas essas horas de entrega:
corporalmente, enquanto estava de fato jogando; ou mentalmente, enquanto
formulava os planos para garantir que as jogadas futuras dessem certo, estão
tendo que ser substituídas por outras atividades. Não que eu já consiga deixar
de pensar, principalmente nas partidas com resultado positivo e a felicidade
que elas proporcionavam, mas estou trabalhando nisso. Quando abro a desktop e te vejo ainda é estranho e
tenho vontade de reviver algumas daquelas emoções, mas, como podes perceber,
Hearthstone, fiz muita coisa sem você. Talvez a “sorte” que “gastava” nas
jogadas esteja aparecendo em outras situações.
Não quero dizer que estou melhor
agora. Na verdade eu já mudei de opinião várias vezes sobre isso. Às vezes
penso que deixaria tudo que fiz de lado para ter jogado mais algumas partidas. Mas
convenhamos, já não era a mesma coisa de quando precisava jogar escondido ou
como nas primeiras vezes que todos souberam do meu gosto por você. Ou seja,
quando deixo a razão falar mais alto, percebo que estava na hora de crescer e
largar esse velho hábito que sabíamos: não daria em nada.
Já tentei começar alguns outros
jogos, mas como tu sabes, eu tenho um parâmetro muito alto de qualidade para
contornar agora. Esses outros jogos perdem a graça algumas horas depois do
início e já estou aceitando a ideia de ficar um tempo sem esse passatempo. Por
fim, Hearthstone, por mais difícil que seja, espero que encontres outro jogador
que se dedique bastante a você e que desconsidere aqueles “bugs” na programação, como eu fazia na maior parte do tempo, e que
você sempre achou que não existiam.
Realmente as coisas engrenam quando abdicamos desta recompensa psicológica e concentramos nossos esforços e tempo em prol de outras retribuições futuras. Compartilho do relato, embora fosse outro game estratégico que me ocupava.
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