A plateia aplaude encantada com a
exibição. Apesar da descrença da maioria em relação às cartas que saem de
dentro da boca do ilusionista ou da capacidade de leitura mental dos envolvidos
com o show, ninguém consegue entender e, ainda que não aceitem a possibilidade
real daquilo estar acontecendo, questionam sobre a existência de poderes
sobre-humanos e deixam o espetáculo satisfeitos com o que viram.
D’outro lado, o ilusionista
termina de encaixotar seu equipamento, feliz com o desempenho daquela noite.
Ele sabe que as mãos foram ágeis o suficiente para que nenhum espectador tenha
percebido o momento em que os truques foram realizados. É claro que não existem
poderes que o torne diferente dos demais, ilusionismo é isso, é capacidade de
distorcer a realidade com base nas limitações sensoriais do público.
Por mais cético que seja o
observador, se o truque for bom, irrompe uma dúvida que poderá até ser vista
como verdade, dependendo do quão disposto ele esteja a aceitar isso. O problema
é que o ilusionista, assim como todos nós, jamais conseguirá esconder a verdade
de si mesmo. Não importa que o auditório o enxergue conforme ele quis fazer
parecer, a ilusão só toca aos outros e o fardo da veracidade é sua
exclusividade.
Estejamos capacitados para
proporcionar as ilusões necessárias ao bem-estar daqueles que nos assistem, sem
confundir o intérprete com interpretado (ou vice-versa).
As ilusões fazem parte da vida de qualquer sujeito. Realmente, saber identificar onde termina a ilusão e onde está a realidade não é para todos! Excelente texto. Perfeita reflexão!
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