terça-feira, 18 de agosto de 2015

Ilusionista.

A plateia aplaude encantada com a exibição. Apesar da descrença da maioria em relação às cartas que saem de dentro da boca do ilusionista ou da capacidade de leitura mental dos envolvidos com o show, ninguém consegue entender e, ainda que não aceitem a possibilidade real daquilo estar acontecendo, questionam sobre a existência de poderes sobre-humanos e deixam o espetáculo satisfeitos com o que viram.

D’outro lado, o ilusionista termina de encaixotar seu equipamento, feliz com o desempenho daquela noite. Ele sabe que as mãos foram ágeis o suficiente para que nenhum espectador tenha percebido o momento em que os truques foram realizados. É claro que não existem poderes que o torne diferente dos demais, ilusionismo é isso, é capacidade de distorcer a realidade com base nas limitações sensoriais do público.

Por mais cético que seja o observador, se o truque for bom, irrompe uma dúvida que poderá até ser vista como verdade, dependendo do quão disposto ele esteja a aceitar isso. O problema é que o ilusionista, assim como todos nós, jamais conseguirá esconder a verdade de si mesmo. Não importa que o auditório o enxergue conforme ele quis fazer parecer, a ilusão só toca aos outros e o fardo da veracidade é sua exclusividade.


Estejamos capacitados para proporcionar as ilusões necessárias ao bem-estar daqueles que nos assistem, sem confundir o intérprete com interpretado (ou vice-versa). 

Um comentário:

  1. As ilusões fazem parte da vida de qualquer sujeito. Realmente, saber identificar onde termina a ilusão e onde está a realidade não é para todos! Excelente texto. Perfeita reflexão!

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