quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Prólogo.

Acordara mais uma manhã em meio à relva, sentindo na pele o calor dos primeiros raios de sol que se esgueiravam entre as brechas das folhas das árvores. Podia escutar o barulho da água correndo no riacho que ficava há poucos metros de seu acampamento. Respirou fundo e desejou um bom dia, mas novamente não obteve resposta: estava sozinho desde que tudo tinha acontecido. Abrindo os olhos, vislumbrou o muro improvisado com alguns galhos que caiam das árvores mais velhas, enquanto resmungava qualquer coisa sobre a solidão.

Saía de trás de seu abrigo somente por poucos momentos para verificar se a armadilha havia capturado a próxima refeição e encher os recipientes com a água do riacho. Tinha medo do que poderia encontrar naquela floresta.

Na outra margem do córrego a situação não era diferente. Atrás de sua barricada, pensava todos os dias como seria bom encontrar alguém para conversar um pouco; pensava todos os dias que precisava de alguém para quebrar aquela rotina de sair apenas para pegar o necessário para sobreviver, mas o medo de explorar as imediações e encontrar o desconhecido o deixava preso dentro daquele tapume que mais parecia uma prisão.

Esse poderia ser o prólogo do livro que já me pediram para escrever, mas é apenas uma forma de enxergar as oportunidades que perdemos em razão do medo. Procurar refúgio atrás de alguma parede é mais fácil do que enfrentar o que nos assusta, mas enquanto estivermos escondidos, não temos contato com o que estiver além dos muros.

2 comentários:

  1. Quero o livro que alguém, que não eu, ousara pedir para escreveres!

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  2. haaha.. como eu já falei em um outro comentário, adoraria ler um livro teu! Fiquei um tempo sem passar por aqui, cheia de probleminhas que tentaram me estressar.. mas já voltei pra me distrair e me inspirar por aqui! Adorei o texto!

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