Acordara mais uma manhã em meio à
relva, sentindo na pele o calor dos primeiros raios de sol que se esgueiravam entre
as brechas das folhas das árvores. Podia escutar o barulho da água correndo no
riacho que ficava há poucos metros de seu acampamento. Respirou fundo e desejou
um bom dia, mas novamente não obteve resposta: estava sozinho desde que tudo
tinha acontecido. Abrindo os olhos, vislumbrou o muro improvisado com alguns
galhos que caiam das árvores mais velhas, enquanto resmungava qualquer coisa
sobre a solidão.
Saía de trás de seu abrigo
somente por poucos momentos para verificar se a armadilha havia capturado a
próxima refeição e encher os recipientes com a água do riacho. Tinha medo do
que poderia encontrar naquela floresta.
Na outra margem do córrego a
situação não era diferente. Atrás de sua barricada, pensava todos os dias como
seria bom encontrar alguém para conversar um pouco; pensava todos os dias que
precisava de alguém para quebrar aquela rotina de sair apenas para pegar o
necessário para sobreviver, mas o medo de explorar as imediações e encontrar o
desconhecido o deixava preso dentro daquele tapume que mais parecia uma prisão.
Esse poderia ser o prólogo do
livro que já me pediram para escrever, mas é apenas uma forma de enxergar as
oportunidades que perdemos em razão do medo. Procurar refúgio atrás de alguma
parede é mais fácil do que enfrentar o que nos assusta, mas enquanto estivermos
escondidos, não temos contato com o que estiver além dos muros.
Quero o livro que alguém, que não eu, ousara pedir para escreveres!
ResponderExcluirhaaha.. como eu já falei em um outro comentário, adoraria ler um livro teu! Fiquei um tempo sem passar por aqui, cheia de probleminhas que tentaram me estressar.. mas já voltei pra me distrair e me inspirar por aqui! Adorei o texto!
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