terça-feira, 11 de julho de 2017

Acontece.

Com os pés na areia, sentado à beira do mar, naqueles momentos de quem já afogou o pudor que obstrui a sinceridade em meio aos goles de cerveja, conversávamos sobre os amores que acontecem de repente enquanto eu argumentava que os relacionamentos precisavam seguir um ritmo normal e não podiam simplesmente brotar do vazio.

Ora, não faz sentido você conhecer alguém, trocar meia dúzia de palavras, beijar e sem mais nem menos já estar chamando por algum apelido (meloso) carinhoso, planejando passeios, pensando em como agradar ou qual será a reação dos seus pais com a novidade.

Veja só como são as ironias da vida: foi em uma praia (daquelas bem desertas que você chega por uma trilha, no melhor estilo holywoodiano) que toda minha retórica caiu pela areia até o mar para ir por água abaixo antes mesmo de tocar os lábios dela.

Aquela sintonia ficava cada vez mais clara ao longo do dia e da noite que impiedosamente transcorriam em ritmo acelerado enquanto os corpos aproveitavam a proximidade até o momento em que a distância se fez necessária e um "te espero" foi a certeza que eu estava errado: o amor não obedece scripts, simplesmente acontece.



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